“O papa parou em frente à igreja e rezou com os fiéis da Assembleia de Deus que estavam na porta. Até eles pediram bênção. Foi um momento ecumênico, espontâneo e muito bonito”, disse o Padre Frederico Lombardi, porta-voz do Vaticano, que acompanhava o Papa no momento.
Em outro momento, em entrevista à Rede Globo, o Papa foi muito direto, ao dizer que não interessa a religião à qual a pessoa pertence, se esta pessoa não cumprir seu papel cristão. E exemplificou: imaginou uma criança sem acesso à educação e à alimentação e disse que não interessa se a pessoa que vê esta criança é católica, evangélica, budista ou de qualquer outra denominação religiosa. Se não fizer nada por ela, todos perderão a razão; e quem tomar uma atitude para evitar a situação, cumprirá seu papel de cristão.
Em outras palavras, o Papa disse que a atitude do cristão, que é o que realmente interessa a Deus, independe de sua crença religiosa; e que católicos, evangélicos e membros de qualquer outra denominação podem, perfeitamente, viver em harmonia, seguindo os preceitos cristãos e cumprindo com a sua missão aqui na terra.
O Papa, sem querer – ou querendo, quem sabe – deu uma lição em quem teima em incentivar a briga religiosa. E essa posição simpática do Papa a católicos, evangélicos e membros de outras religiões tem suas consequências. Francisco, agindo assim, tende a fortalecer cada vez mais o catolicismo e trazer de volta os que, nas últimas três décadas, fizeram com que o número de católicos no Brasil caísse de 90% em 1980 para 64% em 2010, segundo recente pesquisa divulgada pela Revista Veja.
E esse fenômeno já começa a ser percebido. Na Missa do último domingo à noite, na Catedral de Nossa Senhora da Conceição, em Campina Grande, o Padre Márcio Henrique contou uma história: disse que, após a celebração da manhã, tinha sido procurado por uma senhora, com o filho de aproximadamente sete anos de idade, pedindo para que o batizasse.
Curioso, Padre Márcio perguntou por que ela queria batizar o filho, já grande, quando o normal seria o batismo ocorrer ainda criança. “É que nós éramos evangélicos e, agora, eu quero que meu filho seja batizado pelo senhor, padre”, disse a senhora. “E porque essa mudança?”, perguntou Padre Márcio. Ela simplesmente respondeu: “Papa Francisco”.
Como dizem os evangélicos, “Oh Glória!”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário